Buscador
s m: aquele que busca.
Errante
adj m+f: que erra, que segue sem rumo certo.
O Buscador Errante
Encontrando respostas
Sabidas por todos
Não se satisfez
Porque não bastava
Devia haver algo mais
Algo de que não se falava
Algo que se ocultava em cada gesto estranho
Em cada sorriso forçado
Em cada volta sem sentido ao mesmo lugar
Em cada olhar que refletia
Só os trapos cinzentos da vida
E passou a buscar, e errava
E tentando acertar, errava
Sabendo que erraria de novo
E de novo
Pois se arriscava
Fazendo a pergunta
E inventando as respostas
E respostas opostas
Infinitas respostas
À mesma pergunta
Até que a pergunta se tornou inútil
E deu lugar a um vazio
Onde caiu a semente
Do que ainda faltava
Da semente brotou a dúvida
Crescendo saudável
Planta bem alimentada
Regada por muitos anos
Como vergonha escondida
Um fungo no escuro porão da alma
Mas o que parecia fadado
À eterna escuridão
Gerou fruto imprevisível.
Daquela que havia se tornado
Uma árvore de dúvidas
O fruto da segurança
Inexplicavelmente nasceu
Segurança, fruto da dúvida?
É impossível! – diziam
Como viver na incerteza?
Como viver sem respostas?
Como esperar cada dia
Com um doce ar de surpresa?
Com o sabor da novidade?
Sem mapas, sem telescópios,
Sem trilhos, sem aposentadoria
Quem vai nos dizer
Onde devemos caminhar?
Quem vai nos salvar dos buracos
Nas curvas maldosas da vida?
Mas o buscador errante
Decidiu-se a continuar
Prosseguiu na sua estrada
Já não mais com desespero
Mas com aquilo que consideravam
Ser alguma anomalia
Aquela serena convicção
De saber que jamais chegaria
Ao lugar que imaginara
Onde as perguntas cessavam
Mas graças a ela, a dúvida,
Ele errava com segurança
E era livre para buscar.
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